Engenheira de dia e artesã à noite, a dupla jornada da microempreendedora Madile Zego
Nascida numa família de microempreendedores, Madile conta em entrevista ao Balai como decidiu seguir os passos da família e iniciar um negócio próprio, ao mesmo tempo em que divide a rotina com o trabalho, enquanto engenheira, numa empresa portuária.
A decisão surgiu em dezembro de 2022 quando a jovem teve a iniciativa de confecionar um centro de mesa para uso próprio, visto que sempre teve gosto pelos artigos de decoração e sempre teve destreza em produzi-los.
Com o passar do tempo, Madile começou a considerar a hipótese de tornar a iniciativa num pequeno negócio e decidiu partilhar os trabalhos num perfil que criou nas redes sociais e que hoje é o seu principal canal de vendas e divulgação.
“Após fazer o meu centro de mesa, comecei a produzir pequenas prendas para alguns familiares e amigos, passado algum tempo decidi partilhar as fotos desses presentes num perfil nas redes sociais que batizei de Flor d’ Canela”, conta sobre o nome que deu em referência ao seu gosto peculiar pela canela, uma das matérias-primas que utilizou na confeção do seu centro de mesa.
Em janeiro de 2023, com o perfil ativo, a artesã autodidata arriscou confecionar a sua primeira peça de cerâmica, um pingente, para presentear uma amiga que tinha acabado de dar à luz e, à semelhança dos restantes produtos, também publicou a foto da peça nas redes sociais. Em pouco tempo começou a receber solicitações para peças semelhantes.
“O foco da Flor d’Canela é produzir peças tanto de cerâmica como artigos de papelaria para serem presenteados, por isso designamos como uma loja online de presentes”, explica o tipo de negócio que possui e diz que todas as peças produzidas são de autoria própria.
Para fazer jus à palavra empreendedora, Madile encarrega-se pessoalmente de todos os processos que o negócio implica, inclusive a personalização das prendas. Segundo conta, é a própria que trabalha o design dos produtos, sendo que o único processo no qual conta com parceiros é a impressão.
“Nesse aspeto um dos meus grandes objetivos é conseguir reunir recursos para garantir uma produção própria de agendas e blocos de notas personalizados, assim diminuo o tempo de espera que gasto nas papelarias”, diz.
Paralelamente aos trabalhos manuais, Madile atua como engenheira de energias renováveis, uma vertente que também foi influenciada pelo histórico familiar, dado que o avô é dono de uma oficina mecânica.
“O meu foco era seguir uma carreira como engenheira mecânica, só que no momento de escolher o curso deparei-me com a Engenharia de Energias Renováveis e visto que sempre tive uma boa consciência ambiental decidi cursar na área”, explica sobre a escolha feita em 2014 e que hoje coincide com o novo caminho já que a mesma defende a prática da reciclagem nos trabalhos da Flor d’Canela.
Embora tenha decidido arriscar no empreendedorismo e por estar ainda com um ano de atividade, Madile não descarta a possibilidade de continuar a exercer as funções atuais, mas partilha a intenção de, se abrir uma loja física, optar pela contratação de serviços terceiros para que assim possa continuar a dar o seu contributo na engenharia.
Até lá, a sanicolaulense segue como engenheira durante o dia e microempreendedora nos períodos pós laborais, uma vez que é durante a noite que consegue arranjar tempo para produzir as peças.
Enquanto profissional de jornada dupla, as palavras de ordem para Madile são foco e resiliência, pois para a mesma, é necessário ser realista perante as diferentes fases da vida e do negócio para se manter ciente da sua capacidade de resposta às demandas.
Este artigo foi originalmente publicado na plataforma Balai Cabo Verde - Balai .
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