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“Quando as mulheres se reúnem, não é para ficarem contra os homens”, defende promotora do projeto Mulheres que Transformam

Em entrevista ao Balai, Mónica Cardoso explica como nasceu a ideia de organizar um evento do género em Cabo Verde e de que forma a iniciativa tem contribuído para o reforço do empoderamento feminino no país. 



“A iniciativa surgiu em finais de 2020, quando pensei em criar algo que fosse voltado apenas para o empoderamento económico das mulheres, uma vez que a nossa ONG está dividida em três vertentes e uma delas tem a ver com o empoderamento feminino no âmbito financeiro”, conta como tudo começou até o projeto tornar-se num evento que contou com a sua primeira edição em março de 2021.



“O evento tornou-se num espaço de partilha, onde reunimos mulheres comuns e microempreendedoras com outras sete oradoras que também são mulheres com uma vasta experiência em empreendedorismo, tudo no sentido de inspirá-las a começar um negócio próprio e a seguir passos para alavancar o que já têm”, explica.



“Na época, como estávamos em plena pandemia da covid-19, foi-nos disponibilizado um espaço que podia abrigar apenas 70 mulheres, no máximo, mesmo assim houve disputas por lugares, o que nos fez observar que as mulheres necessitam de um espaço de fala para exporem as suas ideias”, completa.



Segundo a ativista social, a primeira edição do Mulheres que Transformam serviu como janela para o surgimento de novas empreendedoras, facto que a fez repensar o projeto, em conjunto com uma das incentivadoras da ONG, a consultora Dúnia Duarte, para a realização de mais edições anuais.



“No passado mês de novembro fizemos mais uma edição do evento, que arrancou no dia 19, Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, e que contou com a presença de mais de 100 mulheres, entre empreendedoras e não empreendedoras”, explica Mónica sobre a segunda edição, que segundo a promotora, estendeu-se por três dias e contou com diferentes atividades, como conversas abertas, um fórum e uma feira de empreendedorismo, onde mulheres de diferentes áreas puderam expor os seus trabalhos e negócios.



Para a mentora, o projeto, que também conta com o apoio do Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), possui um “papel transformador”, uma vez que “o propósito é mudar o mindset (mentalidade) das participantes para que ganhem a consciência de sua capacidade em criar algo do zero e gerar uma renda com isso”.



Conforme esclarecido pela promotora, embora o foco do projeto sejam as mulheres, principalmente as que vivem em situação de vulnerabilidade, não significa que iniciativas do género devem ser vistas como uma ameaça à camada masculina.



“Quando promovemos projetos deste tipo, estamos a empoderar mulheres que viveram durante muito tempo em situações que abalaram a sua autoestima e as fizeram sentir incapazes de criar algo. É preciso entender que quando as mulheres se reúnem, não é para ficarem contra os homens, mas sim, para trocarem impressões e se empoderarem”, afirma.



Para este ano, Mónica Cardoso partilha a intenção de expandir o evento para mais localidades do país e manifesta a sua satisfação pelo fato de haver mais organizações e iniciativas privadas interessadas em colaborar com o projeto com intuito de promover o empoderamento económico de mulheres.



Este artigo foi publicado originalmente na plataforma  Balai Cabo Verde - Balai .

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