Startup colombiana cria lanternas que transformam água do mar em luz, uma alternativa de acesso à iluminação elétrica
O projeto Waterlight é uma iniciativa que surgiu em 2016, desenvolvido por uma startup colombiana, a E- Dina, que atua no setor da indústria e energias renováveis, em parceria com uma agência de marketing, Wunderman Thompson, sediada em Nova Iorque, através do seu escritório na Colômbia.
A iniciativa conjunta levou ao desenvolvimento de dispositivos considerados “revolucionários”, que segundo os criadores, “são capazes de transformar apenas meio litro de água salgada em energia elétrica por até 45 dias”, conforme avançado num artigo publicado em finais de novembro no site Exame, uma revista mensal brasileira, especializada em economia, negócios e tecnologia.
“As lanternas são um tipo de aparelho eletrónico feito para captar a energia dos íons presentes na água salgada e transformá-la em energia útil. Elas têm partes chamadas elétrodos que ajudam a retirar essa energia da água salgada. Com esse circuito especial, consegue-se cerca de 500 watts de energia por litro de água”, explicam no site oficial da empresa.
Segundo a revista Exame que fala sobre a criação, a Waterlight foi inspirada nos Wayúu, uma comunidade indígina situada na península de La Guajira, que faz fronteira entre a Colômbia e Venezuela, caracterizada como uma região “remota e carente”, com acesso limitado à eletricidade. Agora por conta da Waterlight, mostrou-se estar cercada por uma “poderosa fonte de energia” (o mar).
A comunidade indígena foi a que testou primeiro as lanternas que demonstraram ser úteis para as suas atividades diárias.
“Os protótipos que desenvolvemos são equipamentos portáteis que pesam cerca de 2 quilos e podem ser usados como lanterna para iluminar áreas que carecem de luz elétrica. Graças ao Waterlight, as comunidades podem continuar a desenvolver suas atividades económicas durante a noite”, é explicado no site da startup, sobre a utilidade da Waterlight, que além do auxílio noturno, também serve como um carregador de dispositivos, através de uma entrada USB.
Conforme avançado na revista, o produto não é vendido em lojas físicas ou online para os consumidores em geral, uma vez que se encontra disponível apenas para compra por ONGs, governos e entidades sociais privadas.
“Garrafa d’Luz” em Mindelo
Em 2017, na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, surgiu um projeto denominado “Garrafa d´Luz”, desenvolvido na Escola Internacional de Arte – Meia, por estudantes do curso de arquitetura que tiveram a ideia de encontrar uma solução para a iluminação diurna nas casas de lata.
Segundo os promotores do projeto na época, o mesmo tinha como propósito “dar um contributo imediato para os habitantes daquela comunidade e ao mesmo tempo reutilizar os materiais, como forma de dar um destino às garrafas de plástico”.
A solução consistia na utilização de uma garrafa de plástico de 1,5L de água misturada com uma pequena porção de lixívia. A garrafa com a mistura era fixada no centro de uma chapa metálica (latas de leite) com 30 cm de largura, que posteriormente eram inseridas num buraco feito no teto das “casas de lata” e que em seguida deixava a luz solar irradiar por dentro das habitações devido ao reflexo que se fazia através da mistura.
Na época, os promotores do projeto tinham feito instalações em mais de trinta habitações e almejavam a colocação de pequenos painéis solares nas garrafas, como forma de garantir a iluminação noturna.
O projeto encontra-se inativo há dois anos por motivos externos, entre eles, a falta de verbas, conforme avançado em conversa ao Balai, por uma das envolvidas, Cátia Modesto.
Este artigo foi publicado originalmente na plataforma Balai Cabo Verde - Balai .
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